Pensando na vida

 

Com o educador social Otávio Fattori e o educando Luis Fernando, da Escola Porto Alegre (EPA), começamos uma série de matérias sobre mudanças e reflexões a partir da introdução do projeto Cidade Escola da SMED/núcleo FECI em 12 instituições de ensino da capital gaúcha.

 

Dezessete anos, morador de um abrigo, aluno da oitava série, apresento a vocês Luis Fernando. Ele é um dos 16 alunos vinculados ao Cidade Escola na EPA. Dono de uma sabedoria e visão de vida ímpar, o guri não tem medo em expor seus pensamentos na oficina de reflexão proposta pelo educador social Otávio Fattori.

 

Para Luis Fernando, é uma oportunidade importante porque estimula o protagonismo juvenil e ao mesmo tempo faz compreender a dialética do mundo, dando uma oportunidade única de discutir seus conceitos controversos e tão difíceis de serem absorvidos por uma mente adolescente.

 


 

Na oficina, Otávio obedece quase sempre à mesma fórmula: 25 minutos de conversa sobre um assunto pré-estabelecido, ficando o restante do tempo destinado as ideias que criam formas e se transformam em frases cuja potência surpreende e enche de orgulho o educador.

 

“Você pode ter todo o dinheiro do mundo, mas será um mendigo perante a sociedade se adotar o preconceito”, escreveu um aluno a respeito do tema.

 

Em seu caderno Luis Fernando relatou: “Sabedoria não é saber tudo, mas saber usar o que se tem de bom para o bem do universo”.

 

“Não basta estar livre das grades, mas sim estar livres das maldades do mundo”, filosofou outro educando.

 

Todas essas frases farão parte de um livro que deverá ser lançado no final do ano, conforme Otávio. Luis Fernando usa o tempo destinado a refletir para mudar também. “Não quero mais fazer nada para os outros que não queria que fizessem comigo. Tenho um temperamento explosivo e sempre partia para o enfrentamento, hoje respiro e penso mais antes de tomar qualquer atitude rude”, esclareceu.

 


 

Luis Fernando termina esse ano o primeiro grau e vai sair da EPA, mas torce para que o Cidade Escola/núcleo FECI dure por bastante tempo. “Quero que outros tenham a chance que eu tive. É preciso que trabalhos como esse tenham continuidade”, argumentou.

 

Luis Fernando, se tudo der certo, parte ao final do ano para conquistas maiores e terá em Otávio um fã e um torcedor. E no ano que vem, o educador social estará lá na EPA refletindo sobre a vida com outros adolescentes vorazes por descoberta e expressar ao mundo, ou universo como prefere Luis Fernando, seus anseios e dificuldades.

 
 

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